O que é preciso que todos saibam sobre quem morre de covid-19

No passado somente negros (escravos) e os indigentes eram enterrados. Os homens livres eram sepultados nas igrejas. Toda vez que se faz uma segregação de pessoas, como determinar que algumas delas sejam obrigatoriamente sepultadas a noite, a marginalização destas pela sociedade fica evidente. Hoje no Brasil, decisões equivocadas de governos tem obrigado famílias, na escuridão, cercadas pelo medo, sepultarem seus entes queridos, sempre em silencio, na mais profunda tristeza.

O medo de quem deveria ter soluções (as autoridades), tem proporcionado as estas  famílias o gosto do amargor. Boa Vista – Roraima –  é um exemplo desta situação. Lá a vigilância sanitária tem exigido que sepultem a noite, as vitimas de covid-19, transforma a todos, com este ato arbitrário, desnecessário e desumano,  em também vítimas, do preconceito e do isolamento, não apenas social, mas principalmente do afetivo, tão necessário quando se perde alguém.

É preciso que todos saibam:

“Pessoas falecidas de covid-19, quando acondicionadas em dois invólucros selados, que são colocados em uma urna que será também selada e lacrada, não contaminam ninguém que delas se aproximem”

É preciso manter um mínimo de dignidade e respeito, tanto pelos que estão falecendo, quanto pelo seus familiares. Uma sociedade que perde sua sensibilidade e padrões sociais, que sustentam todas as relações de convivência, é uma sociedade morta.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) orienta, que nos casos de óbitos pelo corona vírus :

  • A dignidade dos mortos, sua cultura, religião tradições e suas famílias devem ser respeitadas e protegidos por todos envolvidos.
  • A eliminação apressada dos mortos de covid-19 deve ser evitada.

As empresas associadas a ABREDIF (Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário), reiteram seu compromisso ético de manter seu atendimento dentro dos padrões necessários a segurança e a manutenção do direito, dos familiares homenagearem seus entes queridos com dignidade, proporcionando a estes um sepultamento respeitoso.

Não podemos se esquecer que: Se hoje estamos sepultando pessoas. Amanhã teremos que viver com as lembranças de como as tratamos em seu último momento na terra. É preciso que estas lembranças não tragam uma dor infindável. Para recepcionarmos a saudade, aceitarmos o luto,  temos que ter  o sentimento do dever cumprido, da mesma forma, aquele que parte, precisa que os ritos sagrados sejam observados, para que perceba o processo de transição pelo qual esta passando e encontre, seu novo lugar e a paz.

Esta dignidade adverte Philippe Aries em seu livro O Homem diante da  Morte, deve ser reconhecida não apenas como um estado real, mas como um acontecimento essencial, que não se permite escamotear.

A ABREDIF solicita que, as autoridades envolvidas na formulação das diretrizes legais dos procedimentos a serem aplicados aos casos de falecimento por covid-19, tenham estas questões fundamentais em mente, antes de impor qualquer norma. Nossa entidade se coloca a disposição, para participar e informar, tudo que seja de seu conhecimento, para que possamos, juntos, sociedade e governos, encontrarmos as melhores soluções.

A morte merece a atenção de todos. Não podemos banaliza-la, transforma-la em mera estatísticas.

Lourival Panhozzi

Diretor Funerário

Pres.ABREDIF

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