Um terno e uma dúzia de pregos

Nota de funeral de 1944 descreve itens relevantes para a última despedida no interior de Minas Gerais

A história tem uma relação direta com o homem em seu tempo. … Ela investiga o que os homens fizeram, pensaram e sentiram enquanto seres sociais. Nesse sentido, o conhecimento histórico ajuda na compreensão da humanidade enquanto seres que constroem seu legado e nos ajuda a compreender para onde estamos indo e porquê.

Além disso são as lembranças do que fizemos por aqui que nos eternizam, por isso damos tanto valor aos rituais fúnebres – desde nossos ancestrais.

Assim, valorizamos muito a contribuição de nosso leitor, Diretor Funerário Wesley Godinho, da Funerária Lagamar – MG.

Ele enviou para a revista uma nota fiscal (se é que assim era chamado o documento na época) de um funeral realizado em Lagamar, então distrito de Presidente Olegário – MG.

O documento é de 1944 e foi fornecido por uma empresa de caminhões para transporte, que vendia tecido, chapéu, calçados, ferragens, bebidas, louças, armarinho, etc – ou seja, a popular “venda” – com a razão social de Porfirio Rodrigues Rosa, muito provavelmente o dono do comercio.

Na nota, Vicente de Assis assumia a dívida com a Funerária de Manuel Ferreira pelos itens adquiridos: 1 terno de “casimira”, uma botina, um maço de pregos e outros bastante peculiares, que totalizavam 330,00 cruzeiros (moeda do país na época). O produto com maior valor foi o terno, de onde pode-se concluir a importância do traje.

“Nota-se também a perfeição da caligrafia levando em consideração a época, onde pouquíssimas pessoas, principalmente do interior, tinham acesso à escola formal”,  destaca Wesley.

Lagamar é um município desde 1962 e atualmente conta 8 mil habitantes.

Fonte: Revista Diretor Funerário – julho 2020

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