Presa quadrilha suspeita de vender túmulos em Ibiporã-PR

Os jazigos e túmulos pertenciam ao cemitério municipal São Lucas. No início acreditava-se que 30 famílias teriam sido lesadas, mas número pode passar de 200

A Prefeitura de Ibiporã, região metropolitana de Londrina-PR, montou uma espécie de “balcão de reclamações” para receber as denúncias ou dúvidas de pessoas que acreditam terem sido lesadas pela venda irregular de terrenos no cemitério municipal São Lucas.

A ação faz parte de uma sindicância aberta para apurar os fatos da Operação Necrópole, que desmantelou uma quadrilha suspeita de vender jazigos na cidade.

Ainda não se sabe há quanto tempo o esquema funcionava, mas ele contava com a participação de servidores públicos, como o próprio diretor do cemitério.

Segundo o diretor de patrimônio do município, as pessoas que se sentem lesadas e procuram o “balcão de reclamações” são encaminhadas pra fazer o protocolo na prefeitura e depois Boletim de Ocorrências na delegacia.

Algumas pessoas relataram que pagaram quantias que chegaram a R$ 7 mil pelo jazigo.  “As pessoas pagavam em dinheiro e algumas pagavam até em transferência bancária. Um dos túmulos vendidos era de 1952”, conta o servidor.

O diretor de patrimônio do município informou ainda que várias queixas até agora citam o nome de uma mesma mulher. “Não a conhecemos e ainda não sabemos se ela tinha tantos túmulos assim aqui no cemitério”, relata, sem confirmar se esses casos tratam-se de fraudes.

Como o local é público, os jazigos não poderiam ser vendidos, mas uma operação da Polícia Civil prendeu uma quadrilha com 13 pessoas suspeitas de praticarem o crime. O chefe do bando seria o diretor do local, Paulo Sérgio Rodrigues, que também foi detido. Ele foi exonerado pela prefeitura.

Investigações – Segundo o delegado que comanda as apurações, além dos detidos, outras testemunhas também devem ser arroladas para depoimento. O número de vítimas da quadrilha não para de crescer. Na quinta-feira (03/10) a suspeita era de 30 famílias lesadas, já nesta sexta-feira (04), o número pode chegar a 200.

A polícia também continua análise do que foi apreendido durante as buscas, como computadores e celulares. As ossadas retiradas de locais irregulares também devem ser avaliadas, mas o processo deve ser feito num setor específico em laboratórios de Curitiba. Ainda não se sabe quanto tempo a emissão de laudos deve demorar.

A prefeitura de Ibiporã exonerou o diretor do cemitério São Lucas, suspeito de comandar o esquema.

 

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