Pelo menos 3 novos sepultamentos por dia em Brumadinho

“Cada rua de Brumadinho tem pelo menos uma morte. Na minha foram quatro. Não perdi parentes, mas, de certo modo, a cidade é uma grande família despedaçada”. O depoimento da conselheira tutelar Camilla Fernandes, de 40 anos, mostra como a vida dos quase 40 mil moradores do município da Grande BH foi transformada após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão.

Mesmo quem não teve um familiar morto na tragédia ou encontrou a propriedade tomada pela avalanche de rejeitos está abalado com as 134 mortes confirmadas e a destruição de casas, fazendas, vegetação e cursos d’água. São crianças, jovens, adultos e idosos atingidos indiretamente, mas que também tiveram a pacata rotina destruída pelo desastre.

Trabalhando há duas décadas no Cemitério Municipal, no Centro de Brumadinho, o coveiro Atenagos Moreira de Jesus, de 50 anos, perdeu seis amigos na catástrofe. Diariamente, ele ajuda a abrir pelo menos três covas. “Apesar de a cidade não ter sido destruída, o clima é de guerra. Todo dia chegam mais corpos”, afirma Atenagos.

Ajuda – Mesmo em um clima de velório constante pela centena de mortes contabilizadas, os moradores de Brumadinho arrebatam forças para dar apoio a quem foi prejudicado. A rotina dos sobreviventes  se resume a sair pelas ruas do município e oferecer ajuda nos cemitérios e pontos de apoio para doações. Até hospedagem os moradores têm disponibilizado.

Professora do Departamento de Saúde Mental da UFMG, a psiquiatra Cláudia Fuzikawa explica que, inicialmente, é natural o impacto emocional em pessoas que, indiretamente, estão envolvidas com as vítimas do desastre. “Esse luto é coletivo, principalmente em uma localidade pequena. É como se a proximidade maior gerasse um reflexo mais forte”.

Para a docente, caso não haja acompanhamento psicológico adequado, traumas podem surgir. “São dias seguidos vivendo este luto, acompanhando notícias. Nessas situações, é essencial o acolhimento à população”, reforça.

Assistência – Brumadinho conta com o chamado Comitê de Operações Emergenciais em Saúde (COES), da Secretaria Municipal de Saúde, que prevê atendimento psicossocial aos moradores nos pontos de apoio montados na cidade. A Vale informou ter contratado profissionais para prestar essa assistência, mas também existem voluntários dando amparo às pessoas.

Fonte: Hoje em Dia

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