Sepultadores sob pressão na capital paulista

“Tem gente que valoriza hoje, ao ver que nosso trabalho aumentou, mas tem outros que evitam chegar perto da gente por achar que estamos contaminados”, diz um dos mais de 400 sepultadores do município de São Paulo, com 05 anos de profissão, sobre o aumento dos enterros por causa da Covid-19.

A doença já vitimou 4.241 pessoas até 1º de junho – outros 4.000 óbitos ainda estão em investigação se foram causados pela enfermidade, o que aumentaria para 8.000.

A gravidade da situação tem modificado a vida de trabalhadores que atuam nos cemitérios, caso dos sepultadores.

Além do preconceito fora dos cemitérios, a quantidade de trabalho tem sido um desafio extra para esses trabalhadores. “A rotina está difícil devido ao aumento de sepultamentos, isso se torna um pouco mais cansativo para nós”, comenta um agente sepultador, que trabalha no maior cemitério da América Latina, o Vila Formosa, na zona leste da capital. Por conta do aumento na demanda, 8.000 novas valas foram abertas no local.

Segundo a prefeitura, no cemitério da Vila Nova Cachoeirinha foram abertas cerca de 2.000 valas e no São Luís, na zona sul, são cerca de 3.000 novos espaços. Outra modificação foi a capacidade de enterros, ampliada para 400 por dia – uma alta de 66% na média diária. De acordo com a média histórica são 240 sepultamentos no verão e 300 no inverno.

A atividade de sepultador gera receio pelo medo da doença. “Por mais que utilizamos os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), por um descuido podemos nos contaminar”, comenta. Por outro lado, ele diz perceber o medo das famílias, já que muitas não se aproximam das valas e deixam que os agentes terminem o processo de enterro.

Na cidade de São Paulo, o serviço funerário adotou medidas restritivas como acesso às salas de velório, limitado ao número máximo de 10 pessoas. A duração de uma hora, com objetivo de evitar aglomerações e a disseminação do novo coronavírus também foi outra medida.

Desde 30 de março, as vítimas de Covid-19 ou suspeitas são envolvidas em um saco plástico impermeável, colocado ainda no hospital, com objetivo de dar maior segurança para sepultadores, motoristas e demais servidores que possam ter acesso aos corpos.

Reforço – A epidemia obrigou a prefeitura da capital paulista a aumentar o número de profissionais de forma emergencial. Na primeira semana de abril, 220 funcionários terceirizados passaram a atuar nos cemitérios.

Em São Paulo, para trabalhar como sepultador é necessário prestar concurso público, sendo necessário ter, ao mínimo, ensino fundamental. A prova tem 50 questões, com perguntas de matemática, português e conhecimentos gerais, como história e geografia. O salário inicial varia de R$ 775 a R$ 1.100, e pode chegar a R$ 1.500.

A situação na cidade foi vista com urgência devido ao tratamento em outros países da América do Sul. Um dos exemplos é o Equador, onde, em abril, alguns corpos de mortos pela Covid-19 ficaram espalhados nas ruas até que fossem recolhidos. “As pessoas estavam morrendo nas ruas, nas casas”, acrescenta Manoel.

Guayaquil, a cidade mais atingida pelo novo coronavírus, recebeu caixões de papelão para tentar responder ao aumento da demanda provocada pela pandemia, confirmou a Associação de Papeleiros do país.

Fonte:Agencia Mural.org

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