Doação de órgãos

Em pleno século 21 o assunto ainda não é dominado pela população o que impede que muitas vidas sejam salvas

 Em 2015 o Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – SP realizou 511 transplantes, entre eles 195 de rim, 120 de medula óssea e 96 de fígado.

O numero é considerado muito baixo, se comparado às centenas de pessoas nas filas de espera por um órgão que pode salvar-lhes a vida. Na hepatologia, por exemplo, 30% dos  pacientes morrem sem conseguir um órgão para transplante.

Uma das principais razões para a pequena oferta de doadores de órgãos é sem dúvida as condições bastante específicas em que deve ocorrer a morte para que a doação seja viável. A desinformação, no entanto, é o que mais contribuiu para o baixo numero de doadores no Brasil.

As pessoas ficam em dúvida se o parente está realmente morto. Pensam que o médico pode matar o paciente mais rápido. Só que ele só está respirando por aparelhos. O procedimento não vai matar a pessoa. Ela, na verdade, já morreu. E a morte pode servir para ajudar outras pessoas”, afirmam os especialistas.

Quando a doação é feita após a morte de um paciente, normalmente se dá por morte encefálica, que pode ocorrer após um derrame, afogamento, acidente de trânsito ou queda. Não é preciso assinar nenhum documento em vida para autorizar o procedimento, já que os médicos têm que obedecer à vontade da família neste caso.

Outra preocupação dos familiares é em relação ao estado do corpo após a doação. Os procedimentos, no entanto, não interferem na aparência do corpo que pode ir a velório normalmente.

 Conscientização – O metalúrgico aposentado Carlito Candido da Silva, de 69 anos, estava fazendo reparos na lavanderia de sua casa quando acabou caindo de uma escada. O impacto foi tão forte que sua filha Camila Freitas, de 24, comparou o barulho com o de uma batida de carro. O diagnóstico de morte encefálica veio após quase uma semana de internação.

“Os médicos fizeram os exames de reflexo. Meu pai não mexia os olhos, a pálpebra, não mexia nada”, explica Camila. Conhecendo o lado caridoso do pai, que tinha o costume de doar sangue, a filha autorizou a doação de órgãos. Os médicos conseguiram usar a córnea, os fígados e os rins de Silva. Também é possível doar intestino, pâncreas, coração, pulmão e tecidos como medula óssea.

“Espero que tenha dado tudo certo para quem recebeu os órgãos. Foi uma boa maneira de lidar com o luto. Não tinha o que fazer pelo meu pai, mas eu pude doar vida”, disse a relações públicas que tinha apenas 21 anos na época.

Porém, nem todo mundo aceitou a decisão de Camila. Um familiar de Silva acreditava que ainda poderia haver alguma alternativa para o aposentado e não queria aceitar a doação de órgãos.

“Meu pai morreu de uma hora para outra. O maior problema é o medo de desligar a máquina, mas o melhor jeito de lidar com o luto é aprendendo que a pessoa pode ter morrido para dar a outra uma segunda chance”, completa Camila.

 

Fonte: IG Saúde / Revista Diretor Funerário Novembro 2016

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