Anedonia

Anedonia pelo ofício.

Lidar tanto e por tanto tempo com a tristeza de quem nos procura pode nos levar a anedonia (incapacidade de sentir prazer) se não aprendermos a desenvolver o dom de entender o verdadeiro significado da morte, a sua necessidade de existir e finalidade. A “Indesejada das gentes” do poema de Manoel Bandeira (a morte), sempre tão sórdida para muitos, é na verdade uma elegante dama que nos leva para um passeio a eternidade, chega na maior parte das vezes sem alarde ou ser convidada, mas nunca sem ser anunciada, e a cada por do sol sussurra com o ultimo raio de luz: “estou a caminho, se prepare para minha chegada fazendo de cada dia algo definitivamente especial para aqueles que vão ficar mais um pouco, só assim você poderá realizar uma passagem tranquila e não se apavorar quando Caronte lhe chamar para embarcar”, infelizmente poucos conseguem ouvi-la, menos ainda entender.
Se conseguimos um dia aceitar nossa própria morte, como algo natural, conseguiremos afastar o risco de sermos aprisionados pela anedonia, esta em razão de nosso oficio chega trazida pelo entristecer de todo mortal em estado de pesar, ela nos dominará se nos descuidarmos, mas longe ficara se pudermos ajudar aqueles que batem a nossa porta, sendo, o amor ao próximo, o único antídoto conhecido até hoje.
Se realize, antes de partir sem bagagem faça alguém feliz, não todos, isto é impossível, e lembre-se, não saia antes de dizer desculpa a quem magoou, o verdadeiro perdão, aquele que absolve, não esta do lado de lá e a felicidade que encontrara do outro lado do rio sem correnteza sera equivalente a que aqui deixou.

L. A. P.

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