Um funeral na alta costura de Paris

O estilista francês Jean Paul Gaultier anunciou que faria seu último desfile de alta costura nesse janeiro de 2020 e, para selar a decisão, encenou um funeral

O funeral mais fashion do século aconteceu em Paris, no dia 23 de janeiro de 2020 e simbolizava a morte do estilista francês Jean Paul Gaultier (67 anos) para o desfile de alta costura (haute couture), que acontece anualmente na capital francesa no mês de janeiro

O velório começou a caráter, com uma modelo saindo de um caixão enquanto o lamento de Boy George musicava os versos “nós apenas dizemos adeus com palavras” e “eu morri cem vezes”, da música “Back To Black”, de Amy Winehouse.

“Dor e glória”, como no filme homônimo de seu maior parceiro no cinema, o espanhol Pedro Almodóvar, definiu o cortejo fúnebre armado no Théâtre du Châtelet.

A imagem da morte festiva vista na passarela que pôs a bailarina burlesca Dita Von Teese no mesmo plano da trasexual brasileira Valentina Sampaio foi pensada há anos. Há pouco menos de cinco anos, o assunto surgiu para justificar sua partida do “prêt-à-porter”, que já programava a longa despedida.

Das 100 vezes que Gaultier morreu, como dito no prólogo desse primeiro desfile obituário da história, algumas provavelmente foram consumadas quando alguém perguntou, ao ver seus desfiles, se “alguém usaria isso”.

Carregado vivo no final do obituário por parceiras de longa data, o Jean Paul Gaultier estilista (1970-2020) contradisse a si mesmo e se deixou levar pela morte. Fictícia, mas palpável como prova do estado terminal da fantasia de liberdade criada no século 20.

O estilista – Apelidado de “criança terrível” desde o início de suas cinco décadas de tesoura. A performance de alta-costura atravessou décadas de roupas polêmicas, entrelaçando os mamilos em riste da turnê “Blonde Ambition”, da Madonna, na década de 1990, e as mini roupinhas de marinheiro que cobriram músculos masculinos no desfile “Homem Objeto”, da primavera 1984.

Esteve há 12 anos pela ultima vez na cerimônia do Oscar com a atriz francesa Marion Cotillard usou um vestido longo do estilista para levar a estatueta pela performance em “Piaf – Um Hino ao Amor” (2007).

No Brasil – Um artista pernambucano simulou o próprio velório, convidando estranhos a contemplar seu corpo morto, ainda que vivo, para tratar da morte da arte. Da mesma forma, Gaultier chamou a elite fashion para aplaudir, sem ela saber, a putrefação da moda de seu tempo. Para além da retrospectiva, fez um golpe de imagem típico de sua biografia.

Fonte: Folha Press / Glamurama

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