Por falta de efetivo e com chacina, IML tem ‘superlotação’ de corpos em Cuiabá

O plantão com técnicos de necropsia do Instituto Médico Legal (IML) de Cuiabá está sofrendo com a carência de profissionais, o que dificulta a agilidade nos serviços de liberação de corpos. Atualmente, o IML possui duas viaturas funerárias, conhecidas como ‘Rabecões’, mas apenas uma equipe está apta para o trabalho, a cada 24h.

O plantão para cada servidor é de 24h de trabalho e 96 por descanso. Porém, a reclamação é que o IML não possui motorista e é o próprio técnico que precisa dirigir os veículos até o local da ocorrência.

A abrangência territorial vai além de Cuiabá. Por exemplo, na quarta-feira (19), quando houve a chacina com cinco mortes no município de Nobres (distante 132km de Cuiabá), dois técnicos saíram da capital rumo ao local do crime e, enquanto isso, o prédio ficou sem profissionais para uma possível segunda ocorrência.

“Se acaso houvesse outro crime ou necessidade de ir a outra ocorrência, a polícia teria que esperar os profissionais voltar de Nobres para ir buscar o outro corpo. Quando dois saem, fica outra Rabecão, mas sem profissional para liberar ou buscar corpos. Aqui na unidade só fica o segurança e a moça da limpeza”, disse uma fonte do IML, que preferiu não se identificar.
Os profissionais que trabalham no IML de Cuiabá atendem de Nova Brasilândia (distante 225km de Cuiabá) até o quilômetro 120 da rodovia que liga Cuiabá a Cáceres. “Aqui o essencial seria ter pelo menos 4 profissionais por plantão. Por isso, seria necessário que os técnicos que passaram no último concurso fossem chamados para compor o elenco do IML”, disse a fonte.

Populares denunciam que existem mais de 147 cargos vagos para papiloscopistas e 24 para técnico em necropsia para todo estado de Mato Grosso, mas as nomeações não ocorrem.

“É um descaso tanto com a população e também para os candidatos que tanto se esforçaram para obter êxito no concurso, passando por prova escrita, títulos, psicotécnico e investigação social, gastando tempo e dinheiro para ingressar nas referidas carreiras e agora estão no aguardo desde 2017 e nada acontece. Um descaso total com a Politec e com o povo”, frisou o leitor.

Atualmente o quadro de funcionários para o IML de Cuiabá conta com 18 profissionais, porém seis estão de licença, dois estão em processo de aposentadoria, cinco trabalham na coordenadoria e os outros cinco se revezam nos plantões diários. Quando a situação fica extrema, ultrapassando de 5 corpos por plantão, uma chamada extraordinária é aberta e técnicos de necropsia que estão de folga são chamados e uma espécie de mutirão é feito para dar celeridade nos trabalhos.

 

Corpos na geladeira

Outra reclamação é sobre os corpos que estavam aguardando um estudo mais avançado para poder sair “da geladeira” e assim ser liberado para enterro. Segundo a denúncia, há famílias com mais de 30 dias de espera. Porém, nesse caso a explicação é mais técnica do que política.

“Todos os corpos que estão na geladeira são de vítimas em estado avançado de decomposição e esqueletização. Eles precisam do  diagnóstico do Laboratório de Histopatologia e Antropologia. Por serem vítimas de todo estado e ter apenas dois profissionais para esse tipo de trabalho, é demandado tempo para que não haja falhas e um diagnóstico seja mal feito. Atualmente, 12 corpos aguardam esse tipo de laudo e continuam no IML de Cuiabá”, frisou Valter Ferrari Castro, diretor de Perícia em mortos do IML de Cuiabá.

Atualmente, conforme diversas entrevistas do governador Mauro Mendes e do secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante dos Santos, não há previsão para chamamento de aprovados no concurso público da Politec.

A Politec em nota explicou que o acumulo de corpos em determinada data foi devido a uma chacina ocorrida na região. Mesmo assim, em menos de 1 semana todos os corpos foram liberados. E que todos os exames periciais serão realizados com a costumeira qualidade, elucidando os mecanismos de morte, colhendo as evidências presentes nos corpos e oferecendo apropriados laudos periciais que subsidiarão as investigações e futuros processos judiciais.

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