Mémora, gigante das funerárias, vende as suas propriedades em Barcelona

A empresa espanhola, que  fatura cerca de 200 milhões de euros por ano e tem cerca de 140 funerárias, fechou negócios com o fundo norte americano WP Carey

A Mémora, a gigante espanhola das casas funerárias, acaba de se desfazer das suas propriedades em Barcelona. A empresa, controlada pelo Ontario Teachers’ Pension Fund (OTPP), vendeu uma carteira de 26 imóveis em Barcelona ao fundo norte-americano WP Carey por 130 milhões de euros, ao mesmo tempo que fechou um contrato de permanência como inquilino por 30 anos.
Através desta transação (chamada de ‘sale & leaseback’), o fundo canadiano OTPP consegue angariar fundos para continuar a investir no crescimento da empresa, que administra desde julho de 2017. A Mémora fatura cerca de 200 milhões de euros por ano e tem cerca de 140 funerárias. A transação foi aconselhada pela CBRE.
“O anúncio marca o início de uma colaboração estratégica de longo prazo que ajudará a acelerar o crescimento e a expansão do Grupo Mémora, continuando nossos planos de abrir novas instalações nas próximas décadas”, disse Juan Jesús Domingo, CEO da Mémora. Neste sentido, desde a aquisição pela OTPP, a empresa realizou várias aquisições para reforçar a sua presença em diferentes regiões de Espanha, como a Funeraria Irache (Navarra), Rekalde (País Basco) ou Montero (Madri).

Divisão – a forte fragmentação do setor oferece grandes oportunidades de crescimento no país, onde cerca de 1.100 empresas prestam serviços funerários. Destas, pelo menos 900 são PME que faturam menos de um milhão de euros. No entanto, o mercado movimenta mais de 1.500 milhões por ano na Espanha.
Os Fundos e Seguradoras estão de olho nesse nicho e se baseiam no potencial de crescimento que tem no país, dada a situação demográfica da Espanha, onde mais de 30% da população em 2050 terá mais de 65 anos, em comparação com os atuais 17%. Nessa altura, haverá cerca de quatro milhões de octogenários no país.
Por tamanho, a Mémora é seguida pela Albia, subsidiária de serviços funerários da seguradora Santalucía. Com receitas de 165 milhões de euros no exercício de 2020, é a segunda maior funerária espanhola. Graças a isso, a Santalucía lidera o volume de prêmios com 686 milhões de euros, 31,5% da participação de mercado.
A terceira é a Funespaña, que registrou um faturamento de 48,6 milhões em 2020, enquanto a Mapfre superou os 310 milhões de euros em prêmios por morte.
Recorde-se que Funespaña e Albia anunciaram a sua fusão em 2019, mas a aprovação foi adiada devido às investigações da Concorrência. A fusão poderia ter tirado a liderança do Mémora, já que chegaria a 70.000 serviços anuais. Isso contrasta com o restante das empresas do setor, que está nas mãos de famílias que mal chegam a um milhão em faturamento.
A nova empresa seria distribuída 75% pela Santalucía e 25% pela Mapfre. No entanto, a Comissão Nacional de Mercados e Concorrência (CNMC) obrigou a segunda seguradora a deixar a participação acionária da nova empresa e reduzir a exclusividade nos serviços.
Também exigiu condições diferenciadas à Santalucía, já que a operação fortaleceria a posição da empresa como seguradora funerária ao poder prestar serviços intragrupo “com o risco de expulsar concorrentes, já que a nova entidade teria maior presença em diferentes áreas”.
Por esta razão, o regulador obrigou esta seguradora a cumprir várias condições, como dar liberdade aos familiares do falecido para escolherem uma funerária sem serem automaticamente direcionados para a sua.
Por fim, as condições não convenceram as seguradoras espanholas que decidiram manter seus negócios separados operando de forma independente como haviam feito até então.

Fonte: Diário de Malorca

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