O nome científico do processo é hidrólise alcalina, que implica em esquentar o corpo a 150°C em uma mistura de hidróxido de potássio e água por 90 minutos.
Isso faz com que o tecido corporal se dissolva, restando apenas os ossos, que são então enxaguados a 120°C, secos e pulverizados em uma máquina chamada cremulador.
Depois de concluídas todas essas etapas, os restos mortais podem ser sepultados ou espalhados segundo os desejos do morto, da mesma forma que aconteceria em uma cremação comum.
A técnica, conhecida como aquamação, simula o processo que ocorre naturalmente quando um corpo se decompõe, reduzindo o prazo – em geral de 20 dias – para poucas horas.
A aquamação existe há vários anos, mas apenas em alguns países.
Nos Estados Unidos, o procedimento foi usado pela primeira vez na década de 1990 por pesquisadores do Albany Medical College que procuravam “uma maneira eficiente e barata de descartar restos de animais experimentais que continham radioisótopos de baixo nível”.
Hoje, além dos EUA, Canadá, África do Sul, México e Holanda também oferecem a alternativa, que é legalizada.
No Brasil e em Portugal, a aquamação para cadáveres humanos ainda não é regulamentada. A legislação atual não prevê esse método como uma forma oficial.
O custo da cremação nos EUA é em média US$ 1.600, enquanto a aquamação fica na faixa de US$ 2.000 a US$ 3.000.
A empresa Bio-Response, especializada no processo nos Estados Unidos, indica que essa tecnologia reduz o uso de energia em “90% em relação à cremação com chamas”.
Caso mais famoso
A escolha pela técnica ainda é bem exclusiva. A estimativa é que nos últimos cinco anos tenham sido realizadas cerca de 15 mil procedimentos, o que equivale a 0,1% do total de cremações efetivadas.
O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, herói da luta contra o apartheid e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984, que morto em dezembro de 2021, solicitou que seu corpo fosse submetido à aquamação.
Era “o que ele aspirava como ativista ambiental”, disse seu amigo, o reverendo Michael Weeder.
FONTE BBC