A Ilha da Morte

Localizada em Veneza, no norte da Itália, a ilha de Poveglia tem o rótulo de maldita por um histórico repleto de mistérios mal-assombrados.

Antes de ser palco de vários experimentos sociais e físicos, o território, considerado pequeno para ilha – apenas 17 acres,  foi disputado por genoveses e venezianos durante o século 14, usado inclusive como local de batalhas durante o império napoleônico. A disputa, no entanto, foi interrompida no século 18, com um imprevisto que mudaria para sempre a forma que os italianos enxergam a ilha.

Em 1776, a administração pública italiana descobriu dois navios com pessoas infectadas com a peste bubônica  e decidiu deslocar suas rotas para estacionar a embarcação na ilha, de maneira que seus tripulantes ficassem em quarentena. Sem nenhum plano secundário de ajuda externa, o episódio se tornou uma tragédia bizarra.

Ao longo dos dias, os novos habitantes vindos dos navios recém-atracados eram infectados com a peste de outros passageiros e, gradativamente, toda a população da ilha estava infectada. As autoridades italianas na época estimaram 16 mil mortos em decorrência da doença, visto que agentes oficiais foram até a ilha para enterrar os corpos em um sepultamento coletivo, sem a possibilidade de identificação individual.

Os reconhecimentos dos cadáveres só foram possíveis devido a lista de passageiros da viagem, que continha dados pessoais dos tripulantes. Com poucos sobreviventes, a ilha só teve sua quarentena encerrada em 1814, quase 40 anos após seu início. Algumas estruturas, construídas para abrigar os infectados, ficariam sem uso na ilha até o século 20.

Os “médicos” e pessoas destinadas a cuidar dos doentes e dos mortos na Poveglia, se vestiam dos pés à cabeça e usavam uma máscara de aparência macabra. Ela tinha um bico de pássaro – afunilado e pontiagudo. Eram os EPIs da época e assombravam o imaginário da população. Até hoje a imagem da máscara “da peste” nos é assustadora.

Na época tanto as vestimentas, como a máscara, foram adotadas porque julgava-se a doença contagiosa. O que, de fato, era. Mas não de pessoa para pessoa. Hoje se sabe que a peste negra era uma doença dos roedores, transmitida pelas pulgas. Os humanos contraiam a doença ao serem picados pelas pulgas contaminadas. A má condição sanitária era a vilã da peste, mas na época nem se cogitava.

Sanatório – Em 1922, um hospital psiquiátrico destinado exclusivamente para idosos foi instalado pelo governo italiano nas estruturas usadas para abrigar o isolamento da peste bubônica. Os distúrbios de pacientes, no entanto, salientaram a teoria de que o local estava sendo assombrado por fantasmas dos mortos em decorrência à quarentena forçada.

Afirmando descaso e abandono, relatos de pacientes que observaram vultos foram tantos que envolveram até mesmo os responsáveis pela administração do hospital. Há uma crença popular de que o diretor da instituição enlouqueceu com a presença sobrenatural do local e teria se atirado da torre de vigilância do edifício.

Uma hipótese ainda mais bizarra se dá pelas operações realizadas na instituição, que envolviam experimentos violentos realizadas com pacientes incapazes, como registros de lobotomias incisivas. O hospital psiquiátrico foi considerado um fracasso pelas autoridades do país por não obter resultados progressivos em seus pacientes além de acarretar em custos desnecessários de deslocamento. Foi fechado em 1968.

A ilha permaneceu inacessível para visitantes desde então, com a possibilidade de entrada restrita para pesquisadores e autoridades do governo. Qualquer tipo de registro audiovisual no local ou acesso as imediações do hospital precisavam de autorização do governo.

Reforçando o mito –  Em 2009, o programa Ghost Adventures visitou a ilha e captou todo o tipo de situações estranhas e anormais. Os produtores contam que ja na chegada ao local, o barco deles ficou encalhado 24 horas. Fora isso, aparições de doentes mentais, barulhos misteriosos e equipamento repentinamente quebrando foram documentados.

Alguns dos que visitaram a ilha, a descreveram como “a convergência de tudo que conhecemos sobre o mal”.

Mudar a imagem –  Em 2014, o estado italiano buscou uma recuperação financeira propondo um leilão da ilha, com um valor estimado de 3,8 milhões de euros. No contrato, o comprador teria 99 anos para restaurar as propriedades e monetizar as visitas turísticas, porém, continuaria a ser uma propriedade do governo.

Há boatos de que o empresário italiano Luigi Brugnaro, desembolsou £ 400 mil — equivalentes a mais de R$ 1,6 milhão — pelo local. O novo dono desta que é uma das ilhas mais assombradas do planeta ainda não decidiu o que fará com ela, mas gostaria que ela tivesse algum tipo de uso público. Segundo estimativas, as obras de restauração custarão mais de R$ 50 milhões, e o acesso a Poveglia continua sendo restrito. Mas isso tudo são especulações.

Em 2018, foi criada uma instituição que busca abrir a ilha para a visita de qualquer cidadão italiano, em busca de maiores informações sobre o tal local amaldiçoado.

Nova quarentena – Em março de 2020, quando a Itália teve o pico de casos da Covid-19 assustando toda a sua população e decretou quarentena, alguns relembram esse passado sinistro.

Obviamente, a ilha não é considerada uma atração turística comum, mas há quem queira visitar o local.

O governo italiano proíbe visitas a ilha, pelo risco de contaminação. Apenas com autorizações especiais isso é possível, mas, por cerca de R$ 1.120 (200 euros), é possível arranjar um barqueiro corajoso o suficiente para te levar até a Poveglia.

 

Fonte: R7 / Mega curioso /Uol

Saiu na Diretor Funerário de Outubro 2020

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