Depois da morte

Cinco fatos sobre os mortos que podem não parecer curiosas para quem é do setor funerário, mas certamente assustam os leigos: A morte toca todos em algum estágio durante suas vidas, e geralmente mais de uma vez. Ela também desencadeia certos fatos em torno do que acontece com o corpo após a morte – e algumas omissões flagrantes. Um jornal Inglês, levantou os pontos que mais intrigam os britânicos sobre o assunto.

 

  1. Eliminação de cadáveres – O respeito pelos mortos e a proteção da saúde pública tornam o sepultamento ou a cremação uma tarefa urgente quando alguém morre. Certos aspectos são fortemente regulados – como a profundidade mínima de sepulturas, a localização e gestão de funerais e crematórios – mas existem relativamente poucas leis que regem a eliminação física real. Por exemplo, não existem prazos estabelecidos para a eliminação dos mortos. O enterro em um cemitério não é a única opção. O enterro natural em campos ou áreas florestais, o enterro no mar, e mesmo o enterro em terras privadas (uma fazenda familiar, ou mesmo o próprio quintal do falecido) são opções permitidas em alguns países.

A Cremação, no entanto, só pode acontecer um crematório licenciado. Em algumas localidades, a  lei foi alterada para tornar mais acessível a prática – mas apenas em um edifício fechado – depois de lobby por comunidades religiosas hindus e sikhs. Também não há exigência legal de usar um diretor de funeral, e a lei inglesa não insiste em embalsamar a menos que, por exemplo, um cadáver esteja sendo repatriado.

E enquanto um cadáver deve ser “decentemente coberto” o uso de um caixão não é obrigatório: uma mortalha, caixa de papelão ou cesta de vime são opções adequadas. Isso é a menos que o falecido esteja sendo sepultado no mar (um tipo específico de caixão é necessário aqui), ou crematórios individuais insistem em um para facilitar o manuseio do corpo.

  1. Duas novas opções – Embora sepultamento e cremação sejam as formas mais comuns de “eliminação” dos corpos, dois novos métodos estão surgindo. Já disponível em partes dos EUA e Austrália há um processo de liquefação que utiliza hidrólise alcalina para dissolver a matéria orgânica do corpo dentro de um recipiente de aço. O resultado é um líquido estéril e ossos que podem ser esmagados e dados à família do falecido (semelhante às cinzas pós-cremação).

A “Promissão” está em um estágio mais teórico, e usa nitrogênio líquido para super-esfriar o corpo. Depois os restos frágeis são quebrados usando vibração ultra-sônica. O resultado: um resíduo orgânico inodoro que se torna um pó seco quando o conteúdo de água é evaporado e se transforma em composto quando enterrado em um pequeno recipiente biodegradável. Nenhum método está comercialmente disponível ainda no Reino Unido, mas seria uma alternativa perfeitamente legal para o enterro ou cremação.

 

  1. Seus desejos realmente não contam

As instruções sobre os detalhes do funeral, por escrito ou não, não são juridicamente aceitas. A família pode ignorar direções específicas estabelecidas em um testamento ou plano de funeral pré-pago: não importa tipo de funeral que o falecido realmente queira.

O executor legal do testamento tem o direito de decidir os arranjos funerários – mesmo que ele não seja membro da família.

Se o indivíduo morreu sem deixar um testamento, o representante pessoal mais alto (a pessoa legalmente autorizada a administrar a propriedade do falecido) obtém a palavra final. Sob a lei inglesa atual, o cônjuge sobrevivente do falecido ou parceiro civil está no topo da hierarquia, seguido por crianças, então pais e irmãos.

Quando duas pessoas se enquadram na mesma categoria (por exemplo, os irmãos que lutam pelos arranjos funerários de um pai morto ou pais separados que lutam por um filho morto), não há uma regra legal rígida e rápida. Os tribunais ingleses tendem a decidir caso a caso. Em outros países, há legislação específica.

  1. Desenterrar os mortos

Em agosto de 2015, a Igreja da Inglaterra se posicionou contra a ideia de “exumação sob demanda”, com famílias cada vez mais querendo mudar o túmulo de um ente querido quando se mudam de casa. Exumar um cadáver ou cinzas enterradas requer permissão legal. Mas, na Inglaterra e no País de Gales, a probabilidade de obter permissão depende de onde os restos foram enterrados. O terreno não consagrado requer uma licença de exumação do Ministério da Justiça, mas o terreno consagrado requer uma faculdade (uma concessão de permissão) da Igreja da Inglaterra, que é muito mais difícil de obter. E dado que muitos cemitérios municipais muitas vezes têm áreas consagradas e não consagradas, pode haver padrões legais diferentes para exumar cadáveres e cinzas enterrados a poucos metros uns dos outros. Outras religiões também podem se opor à exumação e não querer sancionar o desenterro dos restos mortais dentro de seus próprios cemitérios.

 

  1. Disputas digitais

Longe vão os dias em que o principal tipo de memorial era uma lápide em um cemitério. A era digital também remodelou como os vivos comemoram seus mortos, especialmente com o crescimento de memórias de Facebook. Em vez de simplesmente remover o perfil do falecido, sua página pode ser convertida em um memorial. Os já existentes “amigos” do falecido no Facebook têm acesso, criando uma rede de suporte virtual e deixando mensagens para a pessoa morta.

As perguntas surgem frequentemente, não apenas sobre o acesso, mas a precisão eo conteúdo das postagens. Soluções jurídicas eficazes ainda não foram desenvolvidas, mas, entretanto, as políticas da empresa e os acordos de usuários com provedores individuais de serviços de internet são usados para lidar com reclamações específicas.

 

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